Tecnologia que traduz voz pode ajudar turismo no Japão

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Em pleno auge do turismo no Japão, que prevê superar os 30 milhões de visitantes em 2018, a barreira do idioma se torna cada vez mais evidente, um problema que o país espera solucionar com a tecnologia de tradução de voz.

O software VoiceTra, desenvolvido pelo National Institute of Communications and Information Technology do Japão (NICT), traduz de forma automática as conversas entre o japonês e 30 línguas e já é utilizado em ambientes como atendimento de saúde, assistência de emergências, transporte e turismo.

A introdução deste sistema de tradução de voz no setor dos serviços faz parte do Plano de Comunicação Global (GCP), que o Ministério de Assuntos Internos e Comunicação do Japão desenvolveu em 2014, orientado a “romper as barreiras da linguagem”.

Desta maneira, o ministério prevê que as tecnologias de informação e comunicação (TIC) assumam o trabalho de se comunicar com os turistas, com foco nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, ano em que o governo japonês quer atrair 40 milhões de visitantes.

– Um dos projetos principais dentro do GCP é a instalação destes sistemas de tradução automática nas diversas localizações olímpicas – explicou à Efe um porta-voz do NICT.

O plano de ação GCP reconhece as “dificuldades” que os estrangeiros experimentam para “levar uma vida cotidiana no Japão” e propõe como solução “aproveitar ao máximo os sistemas de tradução de voz em múltiplos idiomas”.

Segundo dados recolhidos pelo ministério, dez idiomas incluindo coreano, chinês e inglês, são usados por mais de 90% dos turistas que visitam o país.

O VoiceTra oferece traduções de voz automática entre o japonês e outras 30 línguas, a maioria delas faladas na Ásia, como birmanês, bahasa (Indonésia), nepalês, vietnamita e mongol.

Para os Jogos Olímpicos de 2020, segundo o NICT, o objetivo é que este software desempenhe o papel de tradutor nos pontos de informação, nas zonas de acesso à internet, nos estádios e nas lojas de lembranças, entre outras localizações.

Embora o serviço se encontre disponível para todos os usuários e sem nenhum custo como aplicativo móvel, “a forma básica de promover o VoiceTra é por meio da distribuição de licenças às empresas”, disse o órgão.

– Certamente, nós realizamos atividades experimentais com provedores de serviços locais – explicou o instituto.

Mas são as empresas privadas, a quem o órgão cede o uso do VoiceTra por uma cota, as quais se encarregam de aplicar o software no setor de serviços.

– Como instituto nacional, nos concentramos no desenvolvimento da tecnologia de tradução central – esclareceu o NICT, que colabora com o ministério para compilar resultados e assim melhorar a precisão do aplicativo.

Em mãos do setor privado, o VoiceTra está sendo instalado em diversos dispositivos tecnológicos, o que permite adaptar o software ao contexto no qual acontece a interação que deve ser traduzida.

É o caso de Panasonic e seu “megahonyaku”, um megafone tradutor que é utilizado nos aeroportos, assim como Sourcenext Corporation e Pocketalk, um dispositivo de tradução de bolso para turistas, ou Hitachi e Ruby Concierge, um serviço de tablet que ajuda na navegação pelo transporte público.

Também usam o VoiceTra alguns governos locais graças ao VoiceBiz, sistema desenvolvido pela japonesa Toppan Printing, e as clínicas médicas com Melon, um assistente para os estrangeiros projetado pela multinacional Konica-Minolta.

Em um país acostumado aos desastres naturais, os departamentos locais de bombeiros também começaram a usar esta tecnologia para ajudar turistas em situações de emergência.

O Ministério de Assuntos Internos planeja continuar espalhando o uso desta tecnologia, pelo qual solicitará ao Ministério de Finanças um orçamento de 820 milhões de ienes no ano fiscal de 2019.

*Com informações da Agência EFE
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